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 2008 foi o ano do 100.º aniversário da imigração japonesa no Brasil

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 Liberdade, o “bairro oriental” de São Paulo

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A presente entidade vem enfrentando, nos últimos anos, a impossibilidade de realizar novos estudos e pesquisas em decorrência da falta de pesquisadores diretamente vinculados a si.

Devido às restrições que ora se impõem à formação de novos pesquisadores egressos do Japão, o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros decidiu-se pela implementação de um programa de bolsas de pesquisa visando, sobretudo, aos universitários brasileiros (de origem japonesa ou não) que se interessassem pela história da imigração japonesa e temas afins, concedendo àqueles que fossem selecionados uma certa quantia em dinheiro.

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A importância da renovação e a formação de novos pesquisadores: A Bolsa de Iniciação Científica do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros



Toda e qualquer atividade humana apresenta um ciclo que, caso não seja continuamente renovado, irá cessar e deixar de existir. No caso do conhecimento humano isso implica um processo de conhecimento oriundo de uma atividade intelectual. Todavia, tal atividade é exercida por indivíduos com uma existência concreta e, mesmo que o resultado de suas reflexões permaneça através dos tempos, quem a produz é um ser com uma existência finita. Caso tal produção intelectual não seja continuamente estudada, discutida, ponderada e criticada, o próprio conhecimento tende a se cristalizar e o seu desenvolvimento ficará seriamente comprometido. E, se acrescentaria: se os indivíduos são limitados em sua existência, naturalmente, essa contínua reflexão somente será possível caso haja renovação dos próprios sujeitos pensantes. Além disso, novos intelectuais poderão trazer novos pontos de vista oriundos de seu trabalho, daí o enriquecimento do conhecimento humano.

No caso do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, sua produção é o resultado da atividade individual e conjunta de inúmeros pesquisadores, com as mais variadas formações acadêmicas, tanto do Brasil quanto do exterior, notadamente, do Japão. É o fruto de seres pensantes que se interessavam em refletir acerca de temas que dizem respeito às relações nipo-brasileiras e a questões atinentes às suas culturas. Até recentemente tais indivíduos tinham, dentre suas qualificações, o conhecimento da língua japonesa, fato que lhes permitia acessar informações registradas na língua materna. No entanto, com o passar do tempo, os descendentes deixaram de conhecer a língua de seus ancestrais e, assim, a própria renovação do quadro pensante ficou comprometida. A própria inserção na sociedade brasileira fez com que o interesse pela cultura nipo-brasileira sofresse um declínio, mas, felizmente, trata-se de uma chama que jamais se extinguiu por completo. Ainda há significativo interesse pela cultura japonesa e tal fato não se limita apenas aos descendentes dos imigrantes que para cá se dirigiram. Portanto, a possibilidade de renovação desse quadro pensante existe concretamente. Conseqüentemente, a questão era como viabilizar essa renovação.

Após muita reflexão, o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros optou pelo incentivo à formação de novos pesquisadores relacionados ao seu foco de estudo, através da concessão de bolsas de iniciação científica. Esse caminho poderá, num primeiro momento, ser mais longo, mas, no final, poderá colher frutos a ser legado, não apenas à Instituição, mas à própria sociedade brasileira na qual ela se encontra inserida. Tal escolha possibilita aos jovens interessados no assunto, um incremento tanto à sua formação acadêmica e intelectual quanto ao seu amadurecimento pessoal. Dar condições para que um jovem vivencie todo o processo de produção intelectual, certamente, será uma experiência que poderá marcar toda sua existência.

A formação (e conseqüente possibilidade de renovação) de novos pesquisadores pressupõe diversos momentos. Primeiro, a concretização da possibilidade de refletir com maior profundidade a respeito de um tema ou assunto que, de alguma maneira, os interessou, seja positivamente seja por se sentirem incomodados com o fato. Após esse primeiro contato, há necessidade de enunciá-lo de forma inteligível, o que implica concatenação lógica das variáveis a serem levadas em consideração. Com isso o pesquisador terá de determinar os meios através dos quais o aprofundamento do conhecimento acerca do tema será possível, o que pressupõe método de pesquisa. Mas, uma vez iniciada a pesquisa, nota-se a necessidade cada vez maior de novas reflexões, estudo, troca de idéias, discussões, até se chegar o momento de registro de tudo o que foi considerado. Evidentemente, tal fato não esgota o assunto. Pelo contrário, isso suscita novas reflexões e, essa permanente “insatisfação” é que faz surgir o pesquisador no futuro. Enfim, com a bolsa de iniciação científica o jovem pode, literalmente, trabalhar desde o início, da concepção, passando pelos meios até chegar à conclusão de algo pelo qual se interessou em refletir.

Esse caminho a ser trilhado pode se mostrar árduo, ainda mais para quem esteja apenas se iniciando na atividade intelectual. Certamente, haverá muitos percalços e dúvidas acerca de qual caminho seguir. Portanto, em tais momentos se mostra importante a assistência de um pesquisador mais experiente que se incumbirá de apontar a direção a ser seguida, bem como pensar juntamente com o bolsista a respeito do tema estudado. Mas, ao final do processo, com certeza todos os participantes irão concluir que foi gratificante e que, muito se “aprendeu”, em todos os sentidos.

Para finalizar, retomo a idéia inicial: para que o Centro de Estudos Nipo-Brasileiros não deixe de existir no futuro próximo, é preciso possibilitar a renovação de seus quadros de pesquisadores, isto é, a proposta da concessão de bolsas de iniciação à pesquisa pele Instituição pode ser resumida em “renovar para continuar”.


Mário Kikuchi
Doutor em sociologia
Vice-Presidente do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros












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